terça-feira, 21 de julho de 2009

Prefácio de Biografia Anônima

Quando fui convidado para prefaciar este livro achei que não fosse capaz e, aproveitando que estamos sozinhos, confesso ainda não me achar. No entanto, não quis fazer essa desfeita a um amigo tão querido, pois tenho acompanhado a caminhada de Diogo Santana, quem já me proporcionou leituras fascinantes.

Neste texto me sinto convidado a assumir meu próprio eu, a me reconhecer diante de mim e dos outros. A emocionante história de Biografia anônima me ensina a comover-me com a minha própria. No entanto a ausência de maniqueísmo me faz ver que não se trata da história de alguém em especial, mas do humano; esse ser complexo que povoa esta terra, que se confunde com deuses e demônios; que hora destrói, mas no instante seguinte cria. É um equívoco dissociar nossas ações de seus autores, intitular se espirituais ou demoníacas quando, no muito, são meramente humanas. Outro equívoco é condenar o humano ao fracasso, pois o próprio Deus não o condenou. Por isso nos deixou sua palavra – a fé palavra – que se revela fonte de esperança ao humano, que enfraqueceu a si mesmo.

Fé, ingrediente indispensável para a receita da vida. Pois como já disse o teólogo ter fé é saltar no escuro, mas o que ele esqueceu de nos dizer é que caminhamos o tempo todo no escuro e, nunca sabemos onde poremos o pé no próximo passo. A verdade é que só os corajosos, ou inconseqüentes, às vezes saltam. E se saltam é porque acreditam ou que há um chão para detê-los, ou que suportam a queda. Admiro os que saltam, pela fé ou pela loucura; porque em nada se diferem, pois foi o apóstolo quem disse que Deus usa a loucura a fim de confundir a sabedoria. Pobre sabedoria, soberba e cheia de si mesma, a mais louca de todas.

Perigosa é a cultura do saber e do cientificismo que forma cirurgiões que aprendem, desde cedo, a dissecar a vida. Assim, separamos o trabalho da família, a sexualidade do amor, a fé do cotidiano acreditando que esta fé pode ser muito útil nas celebrações de domingo, mas que nada tem haver com o dia-a-dia. No entanto, a cultura da dissecação contraria a palavra de Deus que nos ensina a atar a fé/palavra ao punho e à testa, para que esta não seja por nós esquecida.

Em protesto a cultura da dissecação este texto propõe uma análise do humano a partir do próprio humano.

Não há outra maneira de falar de fé, moral, política, loucura, liberdade e amizade se não pela beleza da própria vida; do que se vive, do que se vê, do que se sente. E é com beleza que Diogo Santana nos propõe essa leitura; beleza esta que não se extrai das estruturas sociais, mas das relações humanas. Beleza que o humano recebe de seu criador.

Ao iniciar essa leitura me senti seqüestrado. Seqüestrado por mim mesmo. Pois Biografia anônima é a história de outro alguém, mas poderia muito bem ser a do próprio Diogo, ou a minha, ou a sua.


Jeferson André, Pastor adjunto da Igreja Batista da Redenção em Tomaz Coelho, Rio de Janeiro.

sábado, 16 de maio de 2009

Entrevista com Jana Lauxen

Jana Lauxen. Escritora Gaucha, editora da versão brasileira do site inglês 3:AM Magazine, e-ditora do E-Blogue.com, matadora no Beco do Crime ( site especializado em ficção policial e suspense ) e colaboradora assídua da revista Café Espacial e do Jornal Vaia ( descrição retirada do seu blog pessoal: http://janalauxen.blogspot.com/ ). Dotada de um espírito irônico e até certo ponto humorístico, expresso em seus escritos de maneira cativante, ela conquista o seu espaço como escritora. O que no Brasil não é nada fácil. Mas também não é impossível. Lançou recentemente pela editora Multifoco o seu primeiro romance Uma Carta Por Benjamin. Nessa pequena entrevista ela comenta sobre seu livro, literatura e fala sobre sua vocação como escritora.

Boa Leitura..
Vigília da Noite - De que se trata Uma Carta por Benjamin ?
É a história de um sujeito comum - que poderia ser eu ou você - que passa a receber cartas de uma mulher chamada Madalena, da qual ele simplesmente nunca ouviu falar, que o trata com carinho e intimidade e acaba o envolvendo numa trama que mistura fanatismo, drogas coloridas e autoconhecimento.
Basicamente, é isso.
Vigília da Noite - Benjamin recebe uma carta de alguém que não conhece, entretanto, ele é bem conhecido por quem lhe escreve. Isso me recorda o absurdo processo de Josef K., de Franz Kafka. Existe alguma influência deste autor em Uma Carta Por Benjamin?
Não.
Para falar a verdade, só li um livro do Kafka, que é o clássico A Metamorfose – e adorei. Apesar de estar até hoje discutindo com outros leitores em que inseto, afinal de contas, se metamorfoseou Gregor Samsa. Eu aposto numa barata, mas já ouvi teorias até de que foi numa borboleta. Ora, e desde quando borboleta tem casca???
Vigília da Noite- O primeiro capítulo do seu livro inicia com uma citação de Aleister Crowley: "Não existe Deus senão o homem". Existe em sua obra alguma influência croweliana?
Croweliana, não, mas Raulseixista sim. E Raul teve muita influência de Aleister então, acho que indiretamente, eu também tive.
Vigília da Noite- O que lhe motivou a escrever o livro?
Diversão. Me divirto horrores enquanto escrevo.
Vigília da Noite- Ser escritor: benção ou maldição?
Benção, sem dúvidas.
Eu adoro, não consigo me imaginar fazendo nenhuma outra coisa. Para falar a verdade, não sei fazer nenhuma outra coisa além de escrever, e sou infinitamente grata por poder trabalhar exatamente com aquilo que mais gosto.
Como já disse, me divirto. E trabalhar se divertindo é uma benção.
E bota benção nisso.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Comentários Sobre O Deus de Carne

" li o seu livro. cara é muito bom. apesar de ser pequeno li devagar, pois fiz muitas anotações. está muito gostoso de ler. sem falar no seu toque, que é perceptível enquanto se lê. e consegue preservar o tom teológico.cara, você está de parabéns!" ( Jeferson André, Pastor Adjunto da Igreja Batista da Redenção ).
" Confesso que ainda não tive muito tempo para ler o livro, porém acabei de ler a introdução e - para usar uma linguagem bem coloquial - o livro promete.Creio que o cristianismo carece de literaturas que, mais do que nos dizer sobre o cristianismo, nos faça pensar e produzir de forma inteligente e criativa sobre o cristianismo. Somente a introdução deste livro por si só já cumpre esse papel. Palavras inteligentes, objetivas, mas com bastante eloquência." ( Amauri, Tradutor ).

Viagem Missionária à Taubaté

Nosso sumo pastor nos chama, reconhecendo sua voz, nós o seguimos. Batistas, assembleianos, Nazarenos. Unidos, somos juntos o corpo de Jesus Cristo. Ele nos chama para ir e pregar. Hebreus 13.1-19 vai dizer que não são todos os que vão, mas apenas os santos: aqueles que se comprometem com Cristo. O objetivo da santidade é o serviço do anúncio do evangelho. E são os santos: cheios de misericórdia, obedientes, os que se renunciam, que se entregam ao reino, que anunciam.

Cristo nos chama para Taubaté. Largamos tudo e vamos em direção a ele. Inspirados por sua presença, somos agradecidos a Deus pela obra que ele tem confiado a nós - Imerecidamente.. E abençoados por ela, não podemos deixar de falar sobre tudo o que vimos e ouvimos (At.4.20). Durante cinco dias, Cristo falou. E ainda fala. Sua voz ainda reverbera em nossos corações. Aquela cidadezinha pacata do interior paulista não será mais a mesma. Os cultos, as pregações, o evangelismo nas ruas, o teatro. Agradecemos a Deus pela missão Josué na organização dessa missão e a seus líderes (Charles, Haroldo e Etienne) que com seriedade, dedicação e empenho se dispuseram a servir o Reino. Agradecemos a Deus por todos os irmãos em Cristo que conhecemos nessa viajem. Agradecemos a Deus pela igreja Assembléia de Deus Taubaté e ao seu Pastor que com todo carinho nos dedicou tempo e todos os recursos para que pudéssemos ficar bem hospedados.

Cristo contua chamando. O ardor missionário ainda nos impulsiona com ousadia, a continuarmos a tarefa que nos foi confiada. Deus ainda age na história, sendo assim, o evangelho ainda continua a ser escrito. Pelas nossas mãos. Portanto, tornai a levantar as mãos cansadas e os joelhos desconjuntados (Hb. 12.12). Engrandecido seja Deus pela sua obra em nós. Engrandecido seja o seu reino. Que sua vontade prevaleça e os seus propósitos se cumpram. E que nós, ovelhas suas, continuemos a seguir-lhe os passos.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Comentário Sobre Meu Livro "O Deus de Carne"

"escandaliza-te ou crê"
Por Silas Fiorotti:

O meu amigo Diogo Santana se propôs a falar sobre a pessoa mais extraordinária que passou pelo mundo (Jesus de Nazaré) - seu nascimento, sua morte e ressurreição. Uma história que me dá esperança para continuar lutando, uma história que me emociona por ser a expressão mais forte do ato de amar. E eu gostei muito do que encontrei no seu mais novo livro - "O Deus de carne: uma introdução a cristologia", principalmente porque o escândalo da cruz está presente (cf. Gl. 3.13). A páscoa cristã passa necessariamente por uma cruz vulgar. Eu me emocionei com as palavras do Diogo, quando ele diz que o nascimento de Jesus (Deus se fez carne) significa que

"O céu desceu até nós para fazer justiça aos homens simples do campo, de ontem e de hoje, humildes pastores de ovelhas e criadores de gado; e quando esse menino se tornar um homem dará o céu também aos doentes e excomungados pela lei e mortos pela letra, aos encarcerados, aos famintos de pão e de eternidade, as prostitutas, adúlteras e todas as mulheres subjugadas, a todo tipo de criminoso arrependido - o céu será um lugar de crianças, onde todos os adultos serão expulsos e crescer será apenas um pesadelo que já passou, contudo, é preciso crer e crer com paixão, de elevar a vida acima da perenidade do mundo." (p. 31)
Um paradoxo, o próprio Deus se torna criatura, e nos mostra o ideal de humanidade, ele verdadeiramente foi um ser humano, pessoal, único - "o único homem legitimamente humano, por isso ele é a verdade, uma verdade (ser), que nenhum homem tem, por isso ele é legitimamente Deus" (p. 41).
Jesus morreu. O Diogo destaca que "todos nós o matamos", mas também fala da "responsabilidade de Deus na morte de Jesus". Na minha opinião, quando ele fala dessa responsabilidade, parece que Deus foi injusto com seu filho, que pai enviaria seu filho para morrer? - e já vejo o Diogo me dizendo que Kierkegaard critica essa ética universalista. Mas Jesus se entregou por nossos pecados (cf. Gl. 1.4), ele foi até as últimas consequências por amor.
Eu entendo que seja apropriado nos afastarmos de uma visão sacrificialista e pensarmos na morte de Jesus como martírio que contém por um lado o seu assassinato e por outro a sua doação."Não se trata, porém, de pensar na cruz, mas de passar por ela" (p. 61). Sim, e também poderíamos dizer que não se trata de carregar a cruz ou o madeiro, porque nem mesmo Jesus fez isso (foi o Simão cireneu - cf. Mt. 27.32), mas de morrermos na cruz com Jesus.O conceito de culpa que o Diogo apresenta é o mesmo de angústia religiosa em Kierkegaard - aqui eu visualizo a conversão (a Deus e aos pobres), ele diz:

"O sentimento de culpa diante da cruz, do sofrimento de Cristo, da igreja, do próximo e do mundo, é a fonte pela qual Deus oferece o seu perdão, pois a culpa nada mais é do que o sentimento de responsabilidade diante do sofrimento alheio." (p. 62)Jesus ressuscitou!! - "o fim sempre é um novo começo". A sua ressurreição é "uma nova criação da parte de Deus", ela permite uma profunda reflexão sobre a relação entre fé e história. E diante dela a tensão: escandaliza-te ou crê!!

"a fé evangélica não se limita a uma exigência de transformação social e de crítica aos paradigmas que justificam a exploração e a desigualdade, mas também e acima de tudo, que tal transformação seja oriunda de uma reforma na identidade dos homens, (...) que os homens também mudem individualmente, (...) mais importante do que o desenvolvimento social e a justiça em si, é que tais iniciativas sejam oriundas de um coração que não seja alheio ou indiferente a tais transformações sociais, passivo, mas atuante no mundo como agente transformador." (p. 73)
E glória a Deus por sua graça, sendo que Jesus nos libertou para sermos verdadeiramente livres (cf. Gl. 5.1):

"o sentido da graça: a infinita misericórdia de Deus possibilita uma escolha ao homem: continuar no pecado (lembrando que o pecado não se limita a uma conduta moral) ao mesmo tempo em poder pertencer a uma comunidade cristã (banalizando assim a sua liberdade) ou tornar sua consciência responsável o suficiente para um contínuo exercício de avaliação moral diante de Deus." (p. 75-76)
Referência bibliográfica:SANTANA, D. O Deus de carne: uma introdução a cristologia. Pará de Minas: Virtualbooks, 2009.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Aleatórios

Desculpem minha insistente tendência a inconformidade. Não nasci para ter o destino dos outros.
Desculpem minha loucura em não me considerar apenas uma simples ferramenta do sistema que vive apenas para ser mais um, menos um, menos que todos.

Respiro ofegante, porque o mundo me sufoca e quer me matar.

Por que eu sou o menos admirado, o mais insensível e opaco dos seres humanos. Homens assim são propensos ao absurdo de não se orientar por meio de rótulos; mais do que isso, são capazes de criticá-los.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Oração Pastoral de Aelred de Rielvaux (1110-1167)


Aelred de Rielvaux ( 1110-1167), monge cisterciense inglêsOração Pastoral (in Revue bénédictine 1925, p. 283 ; trad. alt. Tournay)
«Minha ovelhas escutam a minha voz; eu as conheço e elas me seguem»
Oh Jésus, oh Bom Pastor, pastor realmente bom, pastor cheio de clemência e de ternura, a ti grita um miserável e pobre pastor -- sim, bem fraco, bem incapaz, bem inútil, e, no entanto, com tudo isso, na realidade pastor de ovelhas. A ti, oh Bom Pastor, grita este pobre pastor que está longe de ser bom; a ti ele grita, preocupado com ele próprio, preocupado com suas ovelhas... Senhor, tu conheces meu coração: tu sabes tudo o que deste a teu servidor, e ele não tem senão que um desejo, que é de entregá-lo totalmente às tuas ovelhas, de dedicar-me totalmente a elas. Muito mais, eu quereria entregar-me a mim mesmo a elas. Que assim seja, meu Senhor, sim, que assim seja!...Ensina-me somente, eu te rogo, pelo teu Espírito Santo, ensina teu servidor como ele deve se dedicar a elas. Lembra-me Senhor pela tua graça inefável, de suportar com paciência suas enfermidades, de compadecer-me delas com ternura, de curá-las judiciosamente. Que eu apreenda, inspirado pelo Espírito Santo, a consolar os aflitos, a dar coragem aos que não a tem, a reerguer aqueles que caem, a me sentir fraco com os fracos,... a fazer tudo a todos para todos salvar. Coloque sempre nos meus lábios a palavra verdadeira, a palavra certa, a palavra justa, para que todos cresçam na fé, esperança e amor, em castidade e em humildade, em paciência e obediência, em fervor de espírito e pureza de coração.Como tu lhe deste este guia cego, este mestre ignorante, este chefe incapaz, concedei, Senhor, a este mestre, ciência, luz e competência.