quinta-feira, 29 de maio de 2008

O Deus de Carne

Sinto-me profundamente inspirado!
Inusitadamente Deus fez cair um raio em minha cabeça.
Empenho todo o meu entusiasmo, lirismo e devoção, na convicção de estar escrevendo um livrinho cujo maior dos méritos consiste em erguer a voz, mesmo que rouca e fraca, em manifestação de louvor ao amor de Deus por nós.
O mesmo Deus que permitiu que uma menina de cinco anos fosse covardemente jogada por um frio assassino da janela do sexto andar de um apartamento?
- Sim, o mesmo Deus!
Nunca vi criança alguma se preocupar com o medo da morte, sua inocência lhe impulsiona intensamente à vida!, todavia, quanto a nós adultos, morrer, limite de nossa decadência temporal, significa o mais terrível dos acontecimentos, a eminência de nossa extinção, por isso, um ato tão brutal nos comove à revolta e a justiça com as próprias mãos. A morte nos preocupa porque estamos todos devendo algo à Deus e ao mundo, porque o salário do pecado é a morte (Rm. 6.23). A criança à eternidade nada deve, não há portanto o que nela temer.
O mesmo Deus que permitiu a um terremoto dizimar a vida de mais de nove mil chineses?
Sim, o mesmo Deus!
O que morreu para a república popular da China: seres humanos ou trabalhadores?
Se para eles fossem seres humanos, chorariam pouco seus mortos, mas como se tratavam de mão de obra barata e estudantes, três dias de luto oficial ainda não seriam suficientes. Nós ocidentais não estamos tão distantes disso.
Diante do caos, exaurido todas as possibilidades de esperança e alternativas possíveis de reconstrução daquilo que se perdeu, as nações se voltam para nós e perguntam: ... Onde está o seu Deus? (Sl. 115.2) . Nessas horas todos os outros deuses ficam mudos exigindo de nós uma resposta.
Muitos, pela ingenuidade herdada de seus pais exclamam:

Mas o nosso Deus está nos céus: faz tudo o que lhe apraz. (Sl. 115.3)

Jesus Disse: Eu sou o pão vivo que desce do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre;e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo (...). Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. (Jo. 6.51;56

Deus desceu do céu: ... o verbo se fez carne e habitou entre nós... (Jo. 1.14)

Deus se tornou homem para ensinar o homem a ser homem:

- Nós o invocamos como ideal de humanidade.

Deus se tornou homem para ensinar o homem, a partir do integralmente humano, como chegar a Deus:
- Nós o invocamos por ele ser Deus:
"... e no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna." (1 Jo. 5.20)

terça-feira, 27 de maio de 2008

Biografia Anônima

Estou de férias!
Tempo de cultivar novas e velhas virtudes, devotar-me às paixões mais sutis; um mês! único, para esquecer a transitória, porém maligna devoção dos meus contemporâneos ao altar da aparência, do dinheiro, da pompa!
O mundo vai passar....
Tempo de ler mais, enobrecer a alma que outrora declinava de cansaço, se tornado progressivamente banal. Restaurar a energia intelectual que formenta em mim inquietação, decidida, porém arriscada escolha de lançar-me no caminho solitário da dúvida e da crítica.
Preciso escrever mais, fundar um legado, morrer homem. Odeio tornar-me futil, imbecilizado diante da falsa exuberância e brilho do corpo da mulher, do prestígio, do nada... mas as vezes é inevitável, para alguns, vindo de uma pessoa como eu, futilidade é um pecado que não tem perdão.
Preciso retornar a familiar clausura no meu interior, deixar-me novamente me envolver pelo manto negro da melancolia onde todas as paisagens são cinzas. Amor? O que é o amor? Não há mulher que me compreenda. Sou demasiadamente idealista para subir a cabeça ao lirismo da poesia romântica. A solidão é uma boa companheira, entretanto, que as vezes reclama demais.
"Oh Deus, livrai-me do abismo,
de precipitar os pés em direção ao precipício."
Sinto-me feliz em respirar a atmosfera doce e entorpecente da burguesia: ao entrar numa livraria,me torno um refinado intelectual, observador sentado na torre, que olha de cima, na excitante agitação cultural dos cafés ou na mesa de bar junto com o povo, deixando o tempo passar lentamente; bem alto, sentado no topo do mundo, onde catedrais se confundem com o monopólio econômico de grandes empresas, elevado entre a multidão pedinte e desclaça, carente de pão, onde até mesmo os anciãos se sentem orfãos de seus pais, cercado de homens consumidores da carne de crianças famintas e sedentos pelo sangue de homens honestos, risonhos, gordos, felizes, necrofílicos. Poderia chamar isso de felicidade ou apenas uma hipócrita indiferença aos rumos tomados pela humanidade e sua mal sucedida representação de benevolência?
Somos todos atores, quanta mentira somos capazes de produzir!
Os séculos que outrora estavam atrás de nós, hoje passam por cima de nossas cabeças, são eles que irão nos julgar. O martelo já definiu a sua sentença: somos todos miseravelmente culpados, e eu também estou entre aqueles que estão destinados à fogueira, o que me resta saber é que parte de mim poderá sobreviver ao fogo e as cinzas.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Josú...

Ontem estreei no teatro.

Acalmem-se: não me subiu à cabeça a pretenção de ser ator.
De diretor ou autor talves?
Não... não, de expectador.

E comecei com uma grande peça " Josú, o encantador de ratos". Não sou crítico de teatro, mas filósofo, a reflexão me interessa mais do que o lirismo e a dramaticidade da performace. Essa seria uma boa ocasião para pedir perdão a Carla Jausz (atriz que interpreta Josú), entretanto, acredito que sem sua interpretação intensamente expressiva, o texto de Hilda Hilst seria incompleto. É um bom casamento entre texto e atriz, celebrado pelo diretor Alexandre David.
A peça retrata os dilemas existenciais de um pobre artista de rua (Juzú), que para sobreviver, numa época, marcada pela ascensão de regimes totalitários, pelo militarismo e o surgimento dos ascenais nucleares, exibe seu rato malabarista em troca de algumas moedas. Posso arriscar o palpite de Josú ser um típico homem do povo russo, vivendo os horrores da segunda guerra mundial. Filho Bastardo de um general, pobre e analfabeto, maldito, artista: faz da arte não só o seu meio de sobrevivência, como também de educação, e a utiliza como forma de interpretar o mundo que o envolve. Nesse aspecto Josú é filósofo, é observador e crítico da realidade pela arte. Subjetividade, arte e vida se mesclam nessa obra onde o coração do pobre e do marginalizado se tornam armas contra o poder tirano de governos e seus exércitos.
Teatro Miguel Falabela.
Sextas e sábados às 21:30.
Domingos às 20:30.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

O Que é Teologia? (Parte 1 - Programa de curso)

O Que é Teologia?

1.0 - Análise histórica e filosófica do Termo:


1.1- Conceito Analítico.

1.1.1- O pensamento grego e a questão exegética do termo : Theós e Logos.
( a teologia como discurso)

1.1.2- Teologia dogmática.

1.1.3- Crise do conceito analítico-dogmático na religião cristã.


2.0- O Conceito Dialético

2.1.1- A relação entre Theós e Logos: a teologia como diálogo.

2.1.2- Fases da teologia dialética: dogmática, crítica e dialógica.

2.1.3- Teologia dialógica.


3.0- Conclusão

domingo, 13 de abril de 2008

Algumas Ponderações Sobre Ateísmo

reflexão- Diogo
Caros membros da Comunidade Ateus.net,Durante algum tempo tenho acompanhado toda a polêmica tratada aqui entre teistas e ateistas nesta comunidade, sou estudante de filosofia e admirador particular do existencialismo kierkegaardiano, onde, segundo o seu pensamento cristianismo (teísta) e agnosticismo nasceram um para o outro, o que leva como consequência a não dogmatização e não institucionalização do Cristianismo, sendo puro fator existencial a sua adesão. Outro fator importante a considerar é que o ateísmo, enquanto instrumento de crítica objetiva (científica) do teísmo, se mostra tão dogmático quanto este, e neste aspecto cristãos e ateus possuem cosmovisões muito similares. A tese de que A OBJETIVIDADE É O MEIO DE CONDUÇÃO PARA A VERDADE, é comum a ateus e cristãos dogmáticos. Lendo Nietzsche e Marx, percebi que a tranformação dos meios de produção, que o desenvovimento da técnica e da investigação científica é a responsável pela tranformação de toda a cosmovisão social, religiosa e etc. Em suma, que a ciência transforma a vida e esta, tranformada, transforma a ciência, a religião e etc. Em outras palavras QUE A OBJETIVIDADE NÃO É O MEIO DE CONDUÇÃO PARA A VERDADE, MAS É O MEIO DE CONDUÇÃO PARA A INVENÇÃO DE UMA VERDADE, EXATAMENTE PORQUE A OBJETIVIDADE AO TRANFORMAR A VIDA, É RESPONSÁVEL POR TRANSFORMAR-SE A SI MESMA, PERDENDO TODO O SEU CARÁTER ABSOLUTO. A ciência não é objetivamente absoluta, assim como não é objetivamente absoluta a religião. (paradoxalmente nem mesmo o que estou escrevendo agora deve ser considerado algo absoluto).Por fim, minhas reflexões amadureceram neste aspecto na leitura do livro "A ESTRUTURA DAS REVOLUÇÕES CIENTÍFICAS" de Thomas kuhn, onde a idéia de verdade científica é questionada. Concluindo, tanto o ateísmo quanto o teísmo dogmático dão muito a desejar naquilo que prometem e que toda a verdade, seja religiosa ou científica somente pode ganhar adesão existencialmente, e para isso, tanto a ciência quanto a religião possuem particularmente um MÉTODO

04/07/07
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Diogo
específico para convencer as massas. Sendo assim, jamais posso criticar um postulado científico ou doutrina religiosa em si mesmo, exatamente porque o que deve ser criticado é exatamente a maneira como cada um independentemente convence as massas de sua veracidade.

04/07/07
Eduardo
Reflexão II
Num ninho de marfagafos há seis marfagafinhos. Quem amarfagafar os marfagafinhos, bom amarfagafinhador será.

04/07/07
Lenhador
Algumas ponderações
1º - O que o ateísmo promete?2º - A ciência é um método para convencimento de massas?3º - Ora claro que nada pode ser considerado absoluto, mas dentro do mundo conhecido, algo é funcional, o que tem mais funcionalidade, o método científico ou o método religioso?

04/07/07
Edilson
Eu sou o caminho...
Eu sou o caminho, a verdade, e sei lá mais o que...Pague e te descolo um cantinho legal no céu!!!Tabela de preços:Islâmismo = 25% (ta caro pq ta difícil encontrar virgens)Cristianismo = 10% (é o que tá correndo no mercado)Budismo = 5% (é o ponto de equilíbrio dos 10% cristão)Induísmo = 30% (to pagando isso pq nem conheço essa ai)Ps-> Se for grana a vistinha, da pra discutir valores!!!Aproveitem porque essa merda de mundo ta acabando e quando chegarem todos esses deuses, só quem tem cartão vai poder tirar o dele da reta!!!

04/07/07
Cleber
Ufa !
valeu lenhador,sabia que tinha alguma forma de responder isso. eu até tinha entendido que tinha sido proposto mas não conseguia me recuperar para formular alguma coisa.Agora só falta ele questionar o conceito de funcionalidade ...[]´s

05/07/07
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Diogo
Respondendo as ponderações do lenhador
Caro Lenhador, Gostei muito das questões levantadas, particularmente a última, e é exatamente nesta questão em que serei um pouco mais metódico e demorado. Sendo assim, gostaria de responder por hoje as duas primeiras questões, que por hora me deram a impressão de não ter sido muito claro em minha primeira exposição. 1- O Que o ateísmo promete?O que sustento em minha primeira exposição é que, a afirmação categórica ateísta "Deus NÃO existe" é essencialmente dogmática, e como todo dogmatismo, sempre está procurando justificações para a sua afirmação, e nesse sentido o ateísmo desenvolve estreitas relações com o próprio dogmatismo cristão. (ex: "Deus NÃO existe PORQUE....."; "Deus existe PORQUE...."). É exatamente esse "porque" que define o dogma, e em todo dogma está inserida um conceito de verdade "militante", ou seja, que tenta contradizer a oposição, percebo muito isso entre ateus e cristãos. O conflito ideológico é sempre oriundo de duas posturas ideológicas antagônicas entre si, essencialmente dogmáticas. Mas vamos dar um fim a questão: O que o ateísmo promete? A grande promessa do ateísmo é exatamente, no que se refere a uma deidade pessoal (teísta), negar todas as possibilidades de sua existência de uma maneira categórica, onde as possibilidades, por mínimas que sejam, são sempre viáveis (a teoria do caos reflete bem essa idéia). Se as possibilidades mínimas também são viáveis, nos encontramos então num paradoxo onde não podemos afirmar categoricamente nada, não podemos ser dogmáticos, em suma, acredito que tanto para o ateísmo quanto para o cristianismo, seriam fundamentais uma postura agnóstica de verem o fenômeno religioso, sempre abertos as possibilidades, sem esse "porque"...2- A ciência é um método para o convencimento das massas?Não, mas inserida no método científico contemporâneo está implicitamente estabelecido um paradigma de convencimento, que é exatamente a idéia de funcionalidade que você falou, além de outros princípios. Terminarei as questões posteriormente. Grato.

05/07/07
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Diogo
Além disso, por participar ativamente na tranformação social, no rompimento com antigos paradigmas legais, morais, científicos e religiosos, a ciência também é responsável por 'carregar" a consciência individual para tais rompimentos. E isso já está implícito na dialética social, na formação e transformação da cultura. O método de convencimento implícito na produção científica não é algo consciente, exatamente porque participa na construção da consciência, localizando-a no tempo, históricamente. Isso é constantemente repetido por Marx em sua "Ideologia Alemã", juntamente com Engels. Portanto esse método de convencimento não é criado à parte da ciência em si, mas está em sua própria natureza, na natureza da própria ciência.

05/07/07
Lenhador
OláBom, primeiramente temos que definir o que se quer postular, ateísmo ou o conhecimento científico, que não são sinônimos.Há um pequeno erro de lógica ou informação nas suas colocações, pois o ateísmo tão somente é a opção de um indivíduo que não acredita em deus ou deuses. O ateísmo não é dogmático, não há uma doutrina ateísta, não há um propósito na negação, e também não precisa ser justificada.- 'A' diz: ASDFG existe;- 'B' diz - não creio que ASDFG exista;'B' não precisa justificar sua incredulidade porque não sabemos se 'A' alega algo válido.Isto é uma falácia perigosa de inversão do ônus da prova.Sobre o conhecimento científico: a) - A água ferve quando deus quer;b) - A água ferve quando sob temperatura elevada;Mesmo que o conhecimento científico ou a racionalidade ou a ciência não tivessem sido concebidos, existe na balança dos fatos algumas evidências funcionais. A religiosa é imutável, a científica molda-se conforme o mais evidente e funcional, qual delas é provavelmente mais apropriada em relação à nossa realidade?Abraços

06/07/07
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Diogo
respondendo ao Lenhador
Caro Lenhador, Ontem, estava um pouco sem tempo para responder adequadamente as questões que você levantou. Sei que ateísmo e conhecimento científico não são sinônimos, todavia, o que percebo é que muitos ateus sustentam suas posturas filosóficas sobre o fenômeno religioso, através do cientificismo e o fazem em razão da própria idéia de funcionalidade, cujo fundamento é axatamente o de contrução e re-contrução social (segundo o pensamento de Marx), sendo assim, não posso conceber o cientificismo como realidade distinta do ateísmo, isso porque, o cientificismo, cujo valor coloca a realidade humana como autônoma e independente de qualquer deus ou entidade sobrenatural, não por si mesmas, mas sim na compreenção de que o homem é o ser que conduz o seu destino, torna por um lado a idéia de sobrenatural absurda e por outro, vê com otimismo a autonômia humana em contruir o seu mundo e explorar a natureza. (Nietzsche explora muito essa visão). Segundo as sua próprias colocações: "... o ateísmo tão somente é a opção de um indivíduo que não acredita em deus ou deuses. O ateísmo não é dogmático, não há uma doutrina ateísta, não há um propósito na negação, e também não precisa ser justificada."É exatamente esse tipo de ateísmo que acho fundamental e importante: o ateísmo como simples opção, todavia, o que percebo é que muitos ateus se agarram ao cientificismo como instrumento de justificação dessa opção, o que acaba por fazer do ateísmo algo dogmático. Compreende? E nesse aspecto, os ateus cientificistas se tornam próximos dos dogmatistas religiosos, que se utilizam de seus livros sagrados e "santos" líderes carismáticos, assim como essa classe de ateus se utiliza do cientificismo e da exaltação aos grandes nomes da investigação científica. É exatamente por isso que possuo uma estreita relação com o agnosticismo e não necessáriamente como o ateísmo em si. Todavia, como você mesmo explicou, é exatamente essa idéia de funcionalidade das evidências, que torna o cientificismo uma justificatica subjetiva (para Diogo
o próprio indivíduo) para o ateísmo ou vice-versa. Mas o que vem a ser essa idéia de funcionalidade?O Que vem a ser essa funcionalidade?A ciência possui em seu âmago, assim como a religião, instrumentos indispensáveis à condução política. Marx enfatiza muito isso em praticamente todo o seu projeto filosófico, enquanto que Nietzsche se preocupa com a idéia de condução política na religião. Sendo assim, a ciência (em suma totalidade, como intrumentalização da lógica e da racionalidade, como história, filosofia, física e etc.) jamais pode contradizer permanentemente o desenvolvimento da sociedade civil (o conceito de contradição no marxismo se estabelece como rompimento com antigos padrões de desenvolvimento para a aquizição de novos paradigmas, em suma, se estabele então como re-construção), a ciência jamais pode se atrever a querer destruir a sociedade, onde (localização geográfica) participa ativamente na construção (obs: tal postulado seria um ótimo tópico de discussão política, e não necessáriamente religiosa), mais ainda, a ciência jamais pode contradizer permanentemente os detentores de poder dessa sociedade, o que é uma minoria elitista. A ciência então se torna também um instrumento de condução das massas pela classe dominante como força de manipulação da consciência coletiva, ou seja, dos padrões sociais normatizados de verdade, beleza, moralidade, identidade, assim como as negações oriundas delas. Se a classe dominante achar por natureza que a religião é um eficiente instrumento de condução, ela será favorável a liberdade religiosa, a democracia é um exemplo disso. Os processos que conduzem os instrumentos de produção de bens fazem com que a sociedade esteja sempre em processo de re-construção, intermediada por um estado de abandono de antigos paradigmas, por um estado de "destruição", num processo dinâmico que Marx interpretou como história. Em suma, a ciência, como motor responsável pela transformação dos meios de produção, altera os padrões que regulam a vida social e estes alterados,

06/07/07
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Diogo
modificam a consciência individual, e este movimento: vida social- consciência individual, sendo intermediados pelos intrumentos e pela força de produção de bens, recebe sua origem na produção científica, na exploração no que há de obscuro no mundo, determinando o andamento da história.A aplicação do conceito de funcionalidade está precisamente em todo tipo de verificação causal que tem como efeito a construção (mesmo que não seja permanente) da realidade social, cujo fundamento é o homem. É por tanto um conceito essencialmente pragmático e experimental. Posteriormente continuarei a minha reflexão sobre tal conceito.

07/07/07
Lohanna
Entendi o que quis dizer e concordo. De fato, o ateísmo deveria ser, aliás, é apenas a negação do teísmo. Cabe ao teísmo explicações, não ao ateísmo. São os teístas que levantaram do pó a hipótese (certeza para eles) da existência de deuses.

09/07/07
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Diogo
continuando sobre a funcionalidade
Todavia, entre os períodos de construção e re-construção da sociedade, períodos estes onde os paradigmas funcionam tão bem a ponto de se tornarem verdades, quando não absolutas, muito próximas disso, sejam elas religiosas ou laicas, existe um período de destruição. Nesse período a idéia de funcionalidade perde um pouco o seu valor, e com isso, tanto as doutrinas religiosas, quanto laicas tendem a se apoiar não mais num cientificismo, isso acontece exatamente por causa da transformação dos meios de produção e com isso, a progressiva aquizição de novos paradigmas. Essa tranformação dos paradigmas se estabelece nesse período de "destruição" e somente nele como uma exaltação a subjetividade, onde tanto o cristianismo quanto o ateísmo são paradigmas oriundos de uma adesão existencial. Um exemplo típico que eu posso dar foi a segunda guerra mundial. Nesse período, a humanidade experimentou um grande desenvolvimento tecnológico e científico, que em sua maioria foi a responsável pela morte de milhares de pessoas, e foi exatamente esse paradoxo entre sentido social (desenvolvimento científico e tecnológico) e sentido individual (convicções pessoais, sejam elas a favor ou contra a idéia da existência de uma deidade), que tornou todas as certezas duvidosas, e a idéia de funcionalidade (nesse período) deixou de ser um padrão. O existencialismo ressucitado durante e depois da segunda guerra é um produto direto disso, e nele tanto o ateísmo (Heidegger e Sartre) quanto o Cristianismo (Kierkegaard e Jaspers), passaram a ser vistos sem dogmatismos, como pura aceitação existencial. É mais ou menos assim: se o cristianismo dá sentido para a sua vida, seja cristão, se o ateísmo dá sentido para sua vida, seja ateu. É tudo uma questão de sentido existencial ....

10/07/07
Marcos
Concordo plenamente com o Diogo, e devo dizer-lhe queo texto traça um perfil seu parecido com o perfil de outrofilósofo que conheço e respeito muito.Ateus são pessoas que não encontraram Deus e ponto.Num estudo aprofundado percebe-se que as religiõespossuem interpretações muito diferentes, poréma mensagem delas é sempre a mesma.Qual seria esta mensagem é algo complexo demais(na verdade simples demais) para que eu possasimplesmente dizer eaqui e as pessoas compreenderem.O importante é isso: Todas as religiões dizem a mesma coisa.A institucionalização das mesmas(nesse caso pode-se incluiro ateísmo cientificista) é o que causa divergências e contradições,carregando esse desequilíbrio para a estrutura da sociedade.A institucionalização leva o indivíduo a escolher "um time",defendendo sua religião e desacreditando das outras.Esse conflito interno leva a conflitos externos, criação dee alteração dos dogmas de cada religião, para que sejam cadavez mais diferentes. As religiões em sua forma mais virgem(vide Bíblia, Alcorão, etc.) ainda dizem as mesmas coisas.Eu pessoalmente vivo sem um Deus, pois não o encontrei em minhavida, e após essas reflexões e pesquisas, incluindo pesquisas recentesde física quântica, cheguei a conclusões sobre o significado das religiõese encontrei um caminho de paz pelo qual posso seguir. Não estou dizendo que sou feliz, essa é uma tarefa muito difícil e estou muito longe de alcançá-la. Só digo que achei o caminho, segui-lo requer algum trabalho duro.Não discrimino nenhuma religião, porque todas são belas.Só não as sigo, pois são muito institucionalizadas e porquenão acho necessário a existência de um ser superior paraque eu possa alcançar o que quero.

sábado, 24 de março de 2007

Anarquismo Cristão e Existência social do homem

A transformação de todas as coisas se dá por meio de uma constante modificação interior, por onde os conceitos, as idéias, os valores e até mesmo todos os atos passam a ser destituídos de sentido. É a grande fase da destruição do existente, da dor de se descorir num mundo totalmente ausente de sentido, é a fase da crucificação e da morte, do isolamento e da solidão, por onde os homens começam a se mostrar totalmente hostís a qualquer tipo de sociabilidade, revelando progressivamente a sua anarquização. O homem ausente de sentido social é para essa mesma sociedade o seu opositor. É nesse sentido que surgem os marginais sociais, os criminosos que tanto a sociedade recrimina, sendo eles mesmos um produto do seu próprio meio. Estes jamais passarão para a segunda fase, a fase da resistência, exatamente porque toda a sua forma passiva de viver no mundo, não lhes instiga a negar tudo aquilo que o mundo quer que eles sejam. O mundo nos torna seu opositor, mas somente seremos maiores que o mundo quando negarmos tudo aquilo que o mundo quer que sejamos enquanto seu opositor. É necessário uma outra forma de oposição. Necessitamos de uma oposição autêntica, individual, que não seja guiada pelos próprios valores sociais que nos inclinam passivamente à marginalização. A anarquização é inevitável e a marginalização uma opção que quando a negamos nos aproximamos de uma utopia, de um sonho. A resistência é uma oposição utópica, que enquanto oposição é crítica. Nossa utopia é crítica, nesse sentido, nem todo utopismo é válido enquanto instrumento de transformação social, mas somente os utopismos que reagem contra os valores impostos pela sociedade constituida. O Cristianismo desde suas origens, sempre aos olhos dos grandes críticos textuais do Novo testamento, sempre se inclinou a uma utopia, e quando digo, uma utopia, afirmo que o Cristianismo possui valores tão distantes da sociedade civíl que aos olhos da mesma se parecem irrealizávéis. A encarnação da divindade e a sua inevitável crucificação revela uma distância intransponível entre Deus e os homens, revelam a existência de dois universos opostos que estão em constante luta um contra o outro. O homem luta contra Deus e por isso mesmo o explusa do seu universo, mesmo querendo Deus uma aproximação. É exatamente nessas circunstâncias que estando Deus no mundo, ele sempre se mostrará como seu opositor, da mesma maneira que estando o homem no mundo de Deus, ele sempre será visto como seu opositor, daí se originou por parte dos homens a condenação de Cristo como falso messias e por parte de Deus do conceito de pecado.

Deus entrou no mundo dos homens para fazer os homens entrarem no mundo de Deus. Sendo assim, Deus através da sua crucificação nos incitou a vermos a nós mesmos como pecadores, e a nos olharmos como tal, superarmos essa condição, através de uma conciliação entre o homem e Deus. É exatamente nessas condições que Cristo sempre incita em seus sermões a aparição presente (interior) e futura (exterior) do Reino de Deus. O Reino de Deus unido ao reino do homens no coração e ao redor de seus olhos. Todavia, esse Reino é um reino a ser construído, e isso requer ação. A contrução sempre requer uma ação, desse modo um padrão de conduta que enquanto destruição do mundo presente e resistência da reação desse mundo corrompido, é a implantação do Reino de Deus na vida dos homens. Essa é a maior máxima que um cristão pode ter para sua vida: destruição (anarquização), resistência (crítica utópica aos valores estabelecidos) e construção (ação na implantação de novos valores).

Diogo Alves da Conceição Santana.